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SOPRO. Não me lembro do nome do evento. Sei que aconteceu em Leiria e que “Festa da Música” seria um nome adequado uma vez que ela, a música, andava (literalmente) pelas ruas, em concertos que aconteciam sobre os passeios e não em salas luxuosas acessíveis apenas a alguns.

A música chegava-nos ainda longe, vinda de todos os becos, pelo ar, ricocheteando nas paredes apertadas. Estava juntos das pessoas comuns, a quem eu acho que ela deve pertencer.

Aos pés do Castelo, com enorme segurança, o pequeno José Guilherme tocou Bombardino – um som redondo e maravilhoso (exemplo) – para quem o quis escutar. Eu fui um deles, e não me importava de lá estar de novo agora.

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lgmtcnht_portasdoceuDEUS ENVIOU-ME UMA MMS. Enquanto desenhava esta igreja pensei em como há uns anos atrás (não muitos!), as torres das igrejas serviam as populações duma forma parecida àquela como os telemóveis o fazem hoje. E eram um aparelho cheio de Apps como de repente me apercebi: eram elas que davam as horas certas com os seus relógios enormes, muitas vezes um em cada uma das quatro faces, e reforçavam a exactidão com toques de sino às horas certas, às meias horas e aos quartos de hora. Eram também elas que indicavam de que lado soprava o vento e, consequentemente, como seria o dia seguinte meteorologicamente falando. A torre sineira funcionava também como um serviço de mensagens rápidas: um certo toque anunciava que havia fogo ou outra emergência semelhante, outro toque chamava para se rezarem as Avé-Marias ao fim do dia, outro informava que estava para sair um funeral – indo ao pormenor de dizer se o defunto era homem ou mulher!. Eram elas também, claro, que tocavam a reunir para a Missa, local onde não se recarregava apenas a fé mas também se actualizava o feed de notícias,  com as últimas novidades da comunidade – uma autêntica rede social.

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PRAIA DO SALGADO. Fui dos primeiros a chegar, meia hora antes das 9 da manhã. A praia estava deserta, com o fresco da manhã à flor da areia. Jamais esquecerei aquela chegada: depois de quilómetros no meio de hortas verdes e árvores de frutos, uma subida íngreme levou-me ao cimo dum monte suave – uma elevação que bordeja a costa, como a bainha duma saia. Chegado lá acima, o mar inteiro entrou-me pelos olhos. Sereno, muito escuro e silencioso. E eu pensei “é bonito o meu país”. ::: (Esta cabana é este rectângulozinho laranja na praia, próximo do estacionamento)

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O QUE QUERES SER QUANDO FORES GRANDE? As pessoas que mais me fascinam neste Mundo são, invariavelmente, crianças. Dentro do período designado como “a infância”, a idade que mais me encanta e a que mais saudades me deixou é aquela que guarda em si o momento mágico e irrepetível onde já temos cá dentro os sonhos todos mas não temos ainda a noção. Nem um bocadinho dela.

Este cocktail mágico acontece por volta dos 5 – 6 anos e acaba, mais cedo ou mais tarde, com uma desilusão qualquer ou, pior ainda, com uma série delas. É a idade épica dos exploradores, onde todos os meninos são cientistas em potência – astronautas, se possível! – com a curiosidade nos píncaros e uma inesgotável vontade de aprender.

Eu, por exemplo, queria ser Jogador de Futebol e Bombeiro e Arquitecto. Assim mesmo: as três coisas ao mesmo tempo. Porque naquela idade isso é normal. Porque naquela idade tudo é possível: se eu gosto e quero, porque não hei-de poder?

O momento em que deixamos de ser crianças inocentes depende de uma quantidade de factores, quase todos externos, quase todos lamentáveis. Cabe a cada um resistir o melhor que possa. Já que se foi a inocência, que fique a criancice!

E vocês, lembram-se do que queriam ser quando fossem grandes? Desafio-vos a revelarem-no.

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LgmtCnht_€?Conversa escutada ontem numa Instituição Bancária. Tem sido aliás, sempre a mesma conversa nas últimas semanas. Com desconhecidos ou conhecidos, amigos recentes ou de longa data. Sempre a mesma conversa. A mesma aflição.

 

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Já não se fazem carecas como antigamente. O que é feito daquele cortinadinho comprido dum só lado, penteado para o oposto e encortiçado com brilhantina? Se o bigode já voltou a estar in, para quando o regresso da tampinha?