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MORNO. Há qualquer coisa de doentio nestes dias de calor absurdo em Lisboa. Derretemos. Pensamos devagar. Vivemos em câmara lenta e saltamos de sombra em sombra com garrafas de água na mão. No entanto, uma das coisas de que eu mais gosto nesta vida acontece em Lisboa precisamente nestes dias de Verão (sim porque só ainda não é Verão no calendário): as maravilhosas noites mornas de Lisboa! Somos imediatamente assaltados pela vontade de jantares com amigos, em varandas e pátios, com imperiais na mão, petiscos no prato. Muitos risos. O cheiro da sardinha assada mais um fado que se ouve ao fundo. Nestes dias insanos, algo em mim palpita ansiosamente pela chegada da noite onde tudo de repente parece perfeito. Para que conste: este fim-de-semana abriu oficialmente a época para mim.

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EU. A imagem que utilizo como profile picture foi desenhada a partir do que eu via reflectido no espelho retrovisor do meu carro (daí o “corte” estranho que a delimita) numa tarde em que o meu filho dormia a sesta no banco de trás enquanto esperávamos a hora do início do espectáculo do Circo. Eu estava muito feliz mas sempre que me desenho fico assim… trombudo. Isso deve-se a dois motivos muito simples: 1) sempre que desenho tenho que me concentrar e “desligar” de tudo o resto e 2) olhar para a minha imagem não me dá qualquer vontade de rir. ::: Não a acho particularmente parecida comigo por fora mas acho que ela espelha bem quem eu sou por dentro o que para mim, em qualquer retrato, é mais importante que a sua semelhança com o real.

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Esta galeria contém 5 imagens.


PEREGRINAÇÃO. Cada pessoa tem a sua própria intenção quando se propõe a fazer uma peregrinação. Tão íntima que não pode ser posta em causa por mais ninguém senão ela. ::: Eu, que nunca me imaginei peregrino, acabei por ver os meus … Continuar a ler

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SEM EIRA NEM BEIRA. Foi preciso ir ao Brasil para conhecer o significado desta expressão. ::: Segundo me explicaram, uma “beira” é esta espécie de remate que as casas têm no cimo, ocultando o telhado, e que ainda hoje podemos ver em muitas das casas algarvias mais antigas, por exemplo. ::: O mesmo brasileiro que me ensinou isto, enquanto apontava exemplos em casas portuguesas de Olinda, explicou-me que existem “eiras, beiras e tribeiras”, conforme o poder económico e/ou a importância social do proprietário. Uma casa com “tribeira” era o lar de alguém importante. Consequentemente, ainda hoje utilizamos a expressão “não ter eira nem beira” para quem… não tem nada. ::: Desconheço a veracidade histórica desta teoria mas adoro-a e nunca mais a esqueci. Desenhei esta “beira” em Algés, muito longe de Olinda, enquanto esperava que o meu filho saísse duma festa de aniversário.

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CENTRO. Se procurarmos bem ainda encontramos cantinhos assim em Portugal, mas cada vez temos que procurar melhor. ::: As partes mais bonitas das cidades, das vilas, das aldeias são invariavelmente as mais antigas. De resto, à volta, tudo é um caos difícil de descrever. Como se tivessem deixado um bebé gigante a brincar com tijolos e, sem supervisão, ele os tivesse empilhado aleatoriamente. ::: É no meio dessa desordem infantil que vamos sobrevivendo todos os dias.

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PARABÉNS. O que te hei-de oferecer pelo aniversário, a ti que me deste os dois tesouros mais preciosos que tenho?

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BARRIGA. Ainda não sabíamos mas daí a seis dias nasceria a nossa filha. Naquele dia só sabíamos do tamanho daquela barriga. Nas semanas finais de uma gravidez, uma cadeira é o objecto mais precioso e esta serviu para retomar o fôlego antes das experiências culinárias que, a pedido do nosso filho, todos fomos aprender ao Pavilhão do Conhecimento. ::: Desenhado directamente a Caneta de Água com duas cores de tinta da china.