Bolinhas


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Bolas de Berlim. Saladas. Refrescos de café.

Limonadas. Brisas mornas. Vestidinhos.

Tremoços. Percebes. Areia no pé.

Toalha. Sol. Creme nos meninos. 

Choco. Polvo. Atum. Sardinha. 

Maré baixa. Maré alta. Costa sul.

Gelado. Sombra. Livro. Sestinha. 

Bandeiras vermelha, verde, amarela e azul.

Eis o Mandamento Novo.


 

ligeiramentecanhoto_naoteesquecasdaselfieMandamento para os tempos que correm: “Faças o que fizeres, não te esqueças da respectiva selfie ou nunca terás a certeza se realmente aconteceu.”

As Senhoras da Av. de Roma


ligeiramentecanhoto_avderomaEm dias como este, as Senhoras da Av. de Roma agrupam-se para trocar notícias mais perto umas das outras do que é habitual. Sobem as golas dos casacos e soltam perfumes de naftalina entre as amigas.

Em dias como este, as Senhoras da Av. de Roma ocupam todas as mesas da parte de dentro dos cafés e lêem as revistas duma ponta à outra. Depois vão buscar o neto à escola, talvez mesmo dois ou três, com casaquinhos debaixo do braço “que a mamã não pensou que ia ficar tão desagradável”. Voltam à formação cerrada nos bancos do parque infantil.

As Senhoras da Av. de Roma demoram muito tempo a subir as escadas que os netos galgaram numa corrida e param de vez em quando para descansar sempre nos mesmos degraus. Perdem muito tempo a encontrar as chaves dentro da mala gorda e depois mais tempo para encontrar a chave certa no meio de tantas.

Para o lanche fazem chá para elas e leite com chocolate para os meninos. Os netos devoram as torradinhas com a manteiga mais saborosa que algum dia hão de provar mas, sabiamente, não tocam no sortido de bolachas que por ali anda desde o Natal. Cada vez há menos Senhoras destas na Av. de Roma e restante Lisboa. E eu acho que fazem falta.

240.


WKS LgmtCnht Páscoa

WORKSHOPS PáSCOA´2014. Uma vez mais, as inscrições são (muito) limitadas. É despachar, meninos e meninas, é despachar!

Mais informações aqui. Inscrições pelo ligeiramentecanhoto@gmail.com

239.


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NINGUÉM LEVA A MAL.

As folhas dos meus cadernos são (muitas!) vezes assaltadas por riscos alheios bem antes de eu próprio abrir o bloco naquelas páginas. São os meus filhos.

Não me importo: nunca me estragaram nada imprescindível e de todas as vezes que o fazem, deixam-me algo impagável.

O meu filho encheu-me esta página de corações-torcidos (uns corações cuja ponta tem a forma de um anzol), a sua mais recente arma no que diz respeito a declarações de amor nos cadernos do pai.

Mas o mais sorrateiro e infalível vilão-gráfico lá do bairro é ao mesmo tempo o menino doce que nos pede para o desfile de Carnaval uma máscara batida de um super-herói cujo nome nem sabe pronunciar.

Desta aparente contradição, surgiu este super-vilão-bonzinho-e-bigodudo que se esconde atrás dos corações-torcidos que andou a roubar pela noite da cidade.

Corações que mais tarde, com toda a calma, tratará de endireitar no conforto do seu covil.

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“(…) Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
 
Tinha fugido do céu.
Era nosso de mais para fingir
De segunda pessoa da trindade. (…)”
 

Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos VIII

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lgmtcnht_patoapequimPATO À PEQUIM. Made in Youknowwhere.