Flashback


  
Aquele momento em que a filha já há muito passou para o escorrega e a Mãe continua a baloiçar lentamente, olhar vazio, a pensar ninguém sabe bem no quê. 

É infinitamente estúpido, o medo.


Uma das piores consequências do medo que os actos aleatórios de terrorismo que vão acontecendo por estes dias ajudam a espalhar é a discriminação inadvertida onde nos vemos (todos!) mergulhados.

De repente, a cor da pele do passageiro que se senta à nossa frente no avião, a sua forma de vestir, o seu corte de cabelo, o seu sotaque, fazem-nos presumir… coisas. É a generalização, a discriminação, o estereótipo e o racismo no seu pior.

E depois, temos a viagem estragada. Porque pior que os receios que estes pensamentos nos trazem é o nojo de tê-los pensado.

Benditos são os frutos.


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“(…) E Contudo não sei de criatura

Que mais deseje ter esta alegria

De um fruto azedo que arrancou doçura

Do céu, das pedras e da luz do dia”

Miguel Torga

Perder o pio.


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No Jornal i de hoje saiu um artigo com o seguinte título:

“A geração dos phones já não consegue ouvir o canto dos pássaros” (link)

Não sei se existe uma palavra que signifique o inverso de poesia mas esta frase, para mim, é isso mesmo.

De que vale amar a música se, para a escutarmos em qualquer lado, utilizamos um dispositivo que nos pode retirar a capacidade de escutar o canto dos pássaros?

De que vale a música – e a vida – sem o canto dos pássaros?

Que las hay las hay


lgmtcnht_DeOndeVemAsBruxas_3A primeira edição do Prémio de Literatura Infantil do Pingo Doce aconteceu no ano passado, numa altura onde eu tive tanta coisa para fazer que estive indeciso sobre se haveria de participar ou não até à última, literalmente. Decidi que sim a poucas horas de terminar o prazo de entrega.

Os desenhos foram feitos num hotel em Sevilha, pela madrugada dentro, numa mesa de vidro (o que eu odeio trabalhar em mesas de vidro!) e enviei a minha participação sob o pseudónimo de Luis Morales, o nome da rua da estação de correios de onde enviei a carta. Tudo para correr mal…

Obviamente, não ganhei concurso nenhum. Ainda assim, gosto destes dois desenhos – feitos sobre o texto vencedor de Joana Lopes – que fizeram parte da minha proposta.

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