49.

23Mar2010. É comum não ter comigo as aguarelas no momento em que desenho. Quando assim é, anoto as cores que vejo para depois pintar o mais fielmente possível. Se, como neste caso, acabo por não pintar o que desenhei, agrada-me a forma como aqueles apontamentos se transformam no próprio desenho, criando uma espécie de mapa cromático perceptível como um jogo para quem o observa. ::: Fiz este desenho enquanto comia uma torrada com “pasta de goiaba”. Demorei quase 30 anos até descobrir as maravilhas gustativas da Goiabada porque até então apenas lhe conhecia outras, guardadas no meu imaginário infantil. A minha geração teve o privilégio de poder assistir a uma série infantil cujo tema do genérico era escrito e cantado (no tom certo, um hábito entretanto perdido) em português por Gilberto Gil, um génio musical que teve a inteligência de, escrevendo para crianças, não ter em conta as suas limitações mas o seu infinito potencial. Desta forma, escancarou as portas do nosso (tão pequenino) universo musical para melodias como aquela: tão bela como complexa e com uma letra que, de tão deliciosa, ainda hoje lembramos. Obrigado Gil, pela parte que me tocou. Marmelada de banana / Bananada de goiaba / Goiabada de marmelo / Sítio do Picapau Amarelo (…)”.  (translate.google.com.br) It is common not to have the watercolors with me while drawing. When this happens, I write down the colors I see and then I paint them as accurately as possible. If I end up not painting what I drew, I like how those notes are transformed into the drawing itself, creating a kind of color map perceived as a game for the beholder. ::: I made this drawing while eating a toast with guava paste. It took me almost 30 years to discover the wonders of the guava paste taste because until then i only knew it from a song. My (portuguese) generation had the privilege to attend a children’s series whose theme song was written and sung (in the right tone, a lost habit nowadays) in Portuguese by Gilberto Gil, a musical genius who had the intelligence to, writing for children, not taking into account its limitations but its infinite potential. Thus opened wide the doors of our (so small) musical universe for tunes like that one: as beautiful as complex and with a letter that is so delicious that we still remember it today. Thanks Gil.

6 Replies to “49.”

  1. Pois no outro dia fui ver o espectáculo do La Feria “sitio do pica-pau amarelo” com os sobrinhos e eles adoraram. A tia tb gostou bastante. Aconselho-te que aquilo fez-me lembrar exactamente do bom que era ver o sitio do pica-pau amarelo!

  2. Gostei do rótulo, também me faz lembrar um mapa cartográfico, ou astrológico 😉
    Os meus também foram ver o Sítio do Pica Pau Amarelo, com o avós, e adoraram! Acho que vale a pena.

  3. Fizeste este desenho à minha frente. Lembro-me que, mais do que me impressionares pelo desenho – é “apenas” mais um dos teus – impressionaste-me pela forma como corrigiste um pequeno erro que cometeste ao desenha-lo. Fiel ao que me dizes repetidamente desde pequeno, não usaste borracha, e com a tua esferográfica foste retocando aqui e ali…e ficou lindo! E fica sempre!

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