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INTERNAMENTO (2/7). Eu sentia-me perfeitamente deslocado. Excepto um ou outro ataque de tosse, eu (achava que) estava bem e no entanto repetiam-me constantemente que os valores estavam muito maus. Ao meu lado, o cenário era verdadeiramente assustador: sucediam-se as entradas e saídas de pacientes com reais dificuldades respiratórias; a média de idades era de tal forma elevada que as médicas de serviço, durante a elaboração dos diagnósticos, falavam absurdamente alto e mesmo assim aparentemente ninguém as ouvia ::: Como se não bastasse esta sucessão de acontecimentos estranhos, algures a meio dessa tarde começaram a entrar naquela sala pessoas que eu conhecia duma forma ou de outra, chegando ao cúmulo de uma das enfermeira do Hospital de Santa Maria se dirigir a mim dizendo “não sabe quem eu sou, mas eu conheço-o”. E conhecia, de facto. Então, para ter a certeza que tudo aquilo estava mesmo a acontecer, continuei a desenhar.

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