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INTERNAMENTO (4/7). Jamais esquecerei a chegada ao meu quarto no Hospital Pulido Valente. Por ser já muito perto da meia noite, não acenderam as luzes para não acordar os meus colegas de quarto. Aqueles cinco vultos. Alguns enormes. Todos a roncar ou a silvar ou cheios de gatos na respiração. Com os sonos salpicados por tosses aflitivas. Um deles falava alto, gritava impropérios. Palavrões. Um dos outros, tentando defender o seu sono, respondeu na mesma moeda. Foi balbuciada uma ameaça como contra-resposta. Alguém não parava quieto na cama, murmurando ofensas contra as enfermeiras em geral e os médicos em particular.  Não foi difícil perceber que mal conseguiria dormir. Felizmente medicaram-me. ::: De manhã, muito cedo, aqueles sons ganharam formas e caras: dois homens de meia idade (um magrinho, um gordo), um rapaz deficiente profundo, um toxicodependente em ressaca e um idoso surdo. Seja bem vindo ao Serviço Nacional de Saúde, esperamos que tenha uma estadia agradável.

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