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São Pedro do Sul (5/25). ESQUERDA – Esta família era o exemplo perfeito do conceito de transe ensimesmado abordado no último post. Mais: havia nas suas expressões corporais um misto de solenidade, resignação, medo, enfado e cólica renal. Eu bem tentei transpor tudo isso para o desenho, mas acho que não cheguei nem perto. ::: DIREITA – De manhã passámos a correr pelo hotel para aí deixar as malas e só depois da consulta voltámos com mais tempo. Foi então que percebi como aqueles dias iam ser especiais: mesmo em frente à janela do meu quarto, a poucos metros de distância, o rio Vouga deslizava suavemente sob a ponte romana. Independentemente de tudo o resto, ficar ali de janela aberta durante toda a semana já faria com que a viagem tivesse valido a pena. ::: Este é um daqueles casos onde o desenho, embora não fazendo justiça à beleza da cena, dá ao autor o poder de nunca mais esquecer cada um dos pormenores: as cores, a temperatura do ar, os cheiros. É difícil explicar esta espécie de milagre que o desenho opera em nós; como se o acto de desenhar escavasse as memórias mais fundo que o habitual. É sem dúvida um dos motivos mais válidos para alguém (re)começar a desenhar.

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