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MOAMBA. Há cerca de dois anos atrás, descobri por instinto um pequeno café onde comi senão as melhores Moambas da minha vida, pelo menos aquelas que mais bem me souberam. ::: Um dia, por motivos profissionais, passava por aquela rua e ao olhar para aquele café de portas verdes abertas, tudo nele me fez lembrar os bons locais onde comi em Maputo: os clientes (africanos) sentados tão à-vontade como em casa, o calendário do Benfica, uma bandeira (neste caso) de Cabo Verde, atrás do balcão a família inteira a ajudar, a grande Mãe ao fogão, dentro do balcão fritos e bolinhos feitos em casa por ela ou pelas vizinhas. Ficou combinado nesse dia que da próxima vez que por ali andássemos tínhamos que almoçar ali. Assim fizemos e não nos arrependemos. Tornámo-nos clientes habituais. Provámos todos os pratos do dia – lembro-me da Chanfana às Terças, da Moamba às Quartas, do Ensopado de Cabrito às Quintas, da Cachupa aos Sábados – qual deles o mais delicioso. Tornou-se o meu local de eleição para almoçar sempre que estava sozinho e, de cada vez que lá ia, fazia um desenho enquanto esperava. ::: Um dia, tão inesperadamente como quando o descobrimos, passámos por lá e estava fechado. Voltámos a passar mais algumas vezes e em todas: fechado. Aquele autêntico portal para África fechou para sempre. Parece-me que vou ter que mergulhar de novo na Buraca profunda em busca de outro sítio onde comer o funge (de Mandioca, claro!) perfeito.

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