197.

RAKI. Na primeira noite em Istambul, num restaurante fantástico com as paredes cobertas de fotografias antigas, provámos raki. A única bebida alcoólica que conheço que se toma diluída com água lisa. É uma pequena bomba letal com um sabor forte a anis, uma espécie de mistura entre uma pipa de aguardente caseira e um barril de Licor Beirão. É a bebida nacional de eleição e à nossa volta, a maior parte dos clientes acompanhavam, muito naturalmente, as suas refeições com raki. Se consigo entender as suas propriedades digestivas, tenho alguma dificuldade em saber como lidam eles com a ressaca que, certamente, na manhã seguinte cai como um reluzente piano de cauda sobre aquelas cabeças turcas. ::: O mais curioso é a forma como a bebida é servida: à nossa frente são colocados dois copos, ambos aparentemente meio cheios de água. Num deles está de facto água (com gelo) e no outro está… o raki. Ao copo de raki é então acrescentada água gelada e aqueles dois líquidos incolores, ao misturarem-se, adquirem uma cor leitosa ficando desde logo aptos para retirar a consciência ao ser humano mais próximo. O outro copo (o de água) permanece ali ao lado, presumo que para se ir bebendo alternadamente e assim “cortar” o efeito maligno desta bebida que eles carinhosamente apelidam de leite de leão... ::: Gosto de em Roma ser romano e por isso bebi o meu raki até ao fim mas juro que nunca mais voltarei a tocar naquela zurrapa.

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Um pensamento sobre “197.

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