218.

CÔJA. Há dois verões atrás, dois amigos de longa data convidaram-me para participar num evento cultural por eles organizado. Pediram-me para desenhar o que quisesse, desde que fosse ao vivo.

Deslumbrado pelo meu iPad que ainda cheirava a novo, propus que o fizesse digitalmente e que o resultado, projectado, pudesse ser acompanhado em tempo real por todos os visitantes.

Desenhei durante mais de duas horas, ao fim do dia, e durante esse escurecimento fui alterando constantemente as cores na tentativa de captar as diferenças de luz que ia observando.

No final, ao rever o filme completo do desenho, apercebi-me desta coisa fantástica: neste desenho ficou captado não apenas o espaço, o espaço imutável que eu observava (ponte, casas, serras), mas também o tempo uma vez que vemos um pescador que chega e vai embora, os candeeiros a acenderem, a noite a descer e a fazer crescer as sombras.

Continuo a preferir desenhar no papel mas é impossível não me render a esta coisa das “novas tecnologias”.

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