179.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DE VOLTA. Desculpem a ausência. Foram uma férias à antiga: tão grandes e tão boas que o regresso à vida real está a ser custoso. Mas agora que acabou o intervalo, voltam as publicações.

178.


VERÃO EM CHAMAS. Tavira está a arder. Vêm-me à memória cada um dos Verões da minha adolescência passados nesta cidade que aprendi a amar. A Tavira do rio Gilão, das bicicletas, dos gelados GELVI, das noites quentes com baratas a dançar nos passeios, da Ria Formosa, da UBI, do pão quente de madrugada, do Mercado fresco com peixe vivo, da estupeta de atum, do calor a meio da tarde, da praia morna ao fim do dia, dos amigos para a vida, das conquilhas na baixa-mar, da alfarroba que nos seca a língua, das cigarras a cantar loucas com tanto sol, das aldeias perdidas no meio da serra seca, das velhas de negro curvadas e enrugadas, das amendoeiras ao abandono, das ribeiras secas. Tavira está a arder e eu nada posso fazer. Resta-me publicar, em jeito de homenagem a todo o Concelho, um desenho feito há um ano atrás, durante um pequeno-almoço na Pastelaria Arcada, frente ao edifício da Câmara Municipal. Estou convosco em pensamento. Para a semana, literalmente.

175.


PEDICURE. Porque dizem “fazer os pés” quando na verdade o que lá vão fazer é desfazê-los um bocadinho? ::: Arrepio-me muito sempre que vejo estas senhoras a laborar. A Célia que aqui vêm, atendia tranquilamente um telefonema e recebia uma nova marcação enquanto manipulava aquela espécie de formão ponteagudo que elas utilizam para massacrar as partes mais sensíveis dos pés humanos. Eu não estaria descansado. ::: Lembrei-me agora que as mulheres também dizem “fazer as unhas” e nós homens “fazer a barba”. Mas ninguém diz “fazer o cabelo”, por exemplo. Qual é a regra afinal?

172.


ESTE JULHO. É Julho e finalmente cheira-me a Verão. Digo finalmente mais por ser suposto do que por desejá-lo de facto. ::: Por motivos diversos – o maior dos quais chama-se “a Vida” – fui deixando de esperar ansiosamente a chegada do Verão, de fazer a contagem decrescente para aqueles dias enormes à espera de serem preenchidos com aventuras e sombras frescas, para aceitar resignado a chegada desta Estação quente (demasiado quente) e enfrentá-la como uma coisa que tem que ser. Uma paragem forçada no quotidiano que agora já não se traduz obrigatoriamente em descanso. E se por um lado as descobertas, os castelos de areia, as bolas de berlim na praia, todas as renovadas aventuras trazidas pelos meu filhos me preencham em grande parte, por outro não consigo desligar-me de todos os problemas que deixei em Lisboa, congelados, à espera do meu regresso. Altura em que os encontrarei de novo, tudo igualzinho, apenas eu ligeiramente mais bronzeado. ::: Eu que já amei o Verão, sei o quanto isso é bom. Sabe Deus como eu gostava de um dia voltar a sentir-me assim.

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