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Enquanto desenhava esta igreja pensei em como há uns anos atrás (não muitos!), as torres das igrejas serviam as populações duma forma parecida àquela como os telemóveis o fazem hoje. E eram um aparelho cheio de Apps como de repente me apercebi: eram elas que davam as horas certas com os seus relógios enormes, muitas vezes um em cada uma das quatro faces, e reforçavam a exactidão com toques de sino às horas certas, às meias horas e aos quartos de hora. Eram também elas que indicavam de que lado soprava o vento e, consequentemente, como seria o dia seguinte meteorologicamente falando. A torre sineira funcionava também como um serviço de mensagens rápidas: um certo toque anunciava que havia fogo ou outra emergência semelhante, outro toque chamava para se rezarem as Avé-Marias ao fim do dia, outro informava que estava para sair um funeral – indo ao pormenor de dizer se o defunto era homem ou mulher!. Eram elas também, claro, que tocavam a reunir para a Missa, local onde não se recarregava apenas a fé mas também se actualizava o feed de notícias,  com as últimas novidades da comunidade – uma autêntica rede social.

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Lost in Translation. O Choco Frito foi apenas a entrada. Os peixes escolhidos para aquele almoço pareciam saídos duma ementa escrita numa qualquer língua estrangeira: Sardas, Sarguetas, Massacotes e Alcorrazes. Felizmente levei comigo intérpretes porque em Setúbal até as Sardinhas podem ser… escurchadas. ::: Acabei por provar de todos e não sou capaz de dizer qual o mais delicioso. De que importa o nome quando o peixe sabe a mar?

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Alôine. Hoje é dia de bruxas, abóboras esculpidas e sangue nos caninos. Ninguém pára um pouco para perguntar porque o faz mas vai tudo a correr vestir os meninos como na América. ::: Pouco ou nada sei sobre as origens do Halloween mas sei que, por mais voltas que se dê à questão, nunca terá nada a ver connosco. Este processo de americanização das nossas tradições foi gradual mas arrasador: o dia de São Valentim surgiu do nada, o Pai Natal roubou a quadra ao Menino Jesus e qualquer dia até o St. Patrick´s festejamos! ::: Fiz estes desenhos enquanto o meu filho e os meus sobrinhos tentavam manter a tradição, andando de porta em porta a pedir o Pão por Deus tal como nós o havíamos feito em crianças. É que os portugueses já tinham uma tradição para este dia… o “Pão por Deus” surgiu em Portugal no primeiro dia de Novembro de 1755, o dia do Grande Terramoto de Lisboa. Para ser mais preciso, surgiu nos dias que se seguiram, quando as vítimas em desespero pediam aos menos afectados pela catástrofe, precisamente, “Um pão! Por Deus!”. A chegada do Halloween não se tratou portanto da apropriação de uma tradição mas antes de uma substituição. O que é muito mais triste. :::  E não fomos para melhor porque passámos dum pedido singelo que tentava chegar ao coração de quem nos abria a porta para uma ameaça seca: “ou me dás uma doçura, ou faço-te uma travessura!” Bonito.

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BêÉmeDâbliu. Mais um desenho feito ao volante. Desta vez parado – tanto o meu como o automóvel desenhado – mas ainda assim, feito ao volante.