202.


O filho do merceeiro. Eis um homem bom. Um corpo de silêncios. Uma cabeça de números feita que enche a vida com previsões, riscos calculados, poupanças e ponderações. Planos concretizados quase sempre. Sobre os pés, o peso das decisões acertadas. Um adulto que traz dentro dele, muito à flor da pele, a criança que se levantava às cinco da manhã porque estudar era um luxo que morava longe. O homem do coração racional. Enorme, homem e coração. Eis o meu sogro.

165.


EU. A imagem que utilizo como profile picture foi desenhada a partir do que eu via reflectido no espelho retrovisor do meu carro (daí o “corte” estranho que a delimita) numa tarde em que o meu filho dormia a sesta no banco de trás enquanto esperávamos a hora do início do espectáculo do Circo. Eu estava muito feliz mas sempre que me desenho fico assim… trombudo. Isso deve-se a dois motivos muito simples: 1) sempre que desenho tenho que me concentrar e “desligar” de tudo o resto e 2) olhar para a minha imagem não me dá qualquer vontade de rir. ::: Não a acho particularmente parecida comigo por fora mas acho que ela espelha bem quem eu sou por dentro o que para mim, em qualquer retrato, é mais importante que a sua semelhança com o real.

150.


PEIXE FRITO. Embora pareça contradizê-lo, este desenho apenas reforça o que escrevi aqui. Reparem como, sim desenhei o meu almoço, mas… depois de estar devidamente aconchegadinho. ::: Ele faz parte duma série de experiências que fiz, onde me obriguei a utilizar as minhas opções gastronómicas como tema para os meus desenhos. Experiências completamente falhadas, devo dizê-lo. ::: Este desenho, para além de revelar a incapacidade que tenho em conjugar estas duas artes, acendeu ainda em mim a dúvida quando à grafia do nome daquele “peixe teleósteo, da família dos Esparídeos, frequente em Portugal e no mar das Antillhas” que eu comia com arroz de grelos. Com a ajuda da infopedia, já sei como se escreve Cachucho!

102.


102. by ligeiramentecanhoto
102., a photo by ligeiramentecanhoto on Flickr.

O GALÃO. Gosto muito de desenhar em pastelarias. Aliás, gosto de fazer quase tudo o que é usual fazer-se numa pastelaria portuguesa “à antiga”, mas desenhar com aquele cheirinho a café no ar é um prazer como poucos. Muitas vezes, quando tenho que tomar o pequeno-almoço “fora” faço um desenho durante essa primeira refeição do dia. Este é um desses casos: era uma manhã de Outono e a rapariga à minha frente estava a beber um galão quente com um afinco tal que toda a postura era de reconforto. Tinha que desenhar aquele momento. Aí está ele.