177.


LAÇOS DE SANGUE.  Hoje o dia é dele. Não faz anos, não acabou curso não casou hoje sequer mas ainda assim o dia é todo dele. Do meu irmão, que é o melhor do Mundo. Só coisas boas daqui para a frente, puto, que o caminho está livre! 😉

159.


ALELUIA. Na Páscoa vai-se à terra e eu… fui. Mais uma vez houve caça aos ovos, cabrito com batatinhas, vinho morno, muita broa e vários quilos a mais. E também houve tempo para contemplar esta paisagem que nunca me cansa. O silêncio tranquilo daquelas montanhas gigantes. ::: Há uns meses, fiz este desenho para perceber como se comportavam umas canetas novas neste papel. A técnica que aqui vêm, ao contrário do que parece, não surgiu como cópia dos Impressionistas mas por necessidade, uma vez que se fizesse manchas de cor (como fiz nas montanhas azuis) o papel acabava por ceder. ::: Este desenho faz parte dum esforço a que me obriguei numa tentativa de entrar “mais a sério” no difícil mundo das cores. Não gosto do desenho por aí além, mas continuo a adorar esta vista que me traz toda a infância de volta. Sempre.

149.


TAXIDERMIA. Ele olha-nos há anos do alto daquela parede. Sempre esteve ali. Os olhos feitos do mesmo material que os botões das camisas, emprestando brilho para simular vida. Estranho nunca lhe termos dado um nome. Duas vezes por ano, uma no Verão outra no Inverno, levo-o até lá fora. Escovo-lhe o pêlo e perfumo-o com insecticida enquanto lembro como esta é mais uma das tarefas do meu Pai que agora a mim me pertencem. Este ano, sentado à lareira numa das “noites de Natal”, pela primeira vez apeteceu-me desenhá-lo. Eu que gosto tanto dos animais livres e aos pulos, continuo a achá-lo bonito e a gostar dele sem saber bem porquê.

147.


NA MINHA CABEÇA. Cá dentro moram estes bichos todos, estas máquinas, estas cores.  A minha mulher acha que eu devia desenhar mais vezes sem ser “à vista”. Apenas deixando esta fauna toda sair cá para fora sem pensar muito. Houve um tempo em que eu só desenhava assim mas há uns anos percebi a importância da disciplina a que o desenho à vista nos obriga e, aos poucos, fui deixando de fazê-los ::: Ultimamente tenho sentido um chamamento. Como se estivesse a rebentar ou fosse urgente abrir-lhes os portões e deitá-los cá para fora. Este é um desenho recente. Parece-me que vão voltar.