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TATU. A minha mulher tem uma piada infalível para me fazer rir em qualquer situação. Diz que se um dia vier a fazer uma tatuagem, há de ser a representação de um Tatu fêmea: uma Tatu tattoo… 🙂 ::: Este foi desenhado a partir de uma ilustração emoldurada na parede de mais um restaurante que fechou por estes dias: o Chilli´s de Telheiras. ::: “O tatu quando nasce, não tem couraça. Com o tempo, a pele dele vai engrossando e endurecendo no dorso e nos lados e acaba transformada numa verdadeira armadura”Quem diria que este exótico mamífero pode ser uma metáfora tão acertada para A Vida?

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EN PASSANT. Estava em Belém à espera que o meu filho saísse de uma aula quando estas formas me chamaram a atenção. Aos poucos, a história foi-se contando: era um Peugeot 203, de matrícula francesa, cuja placa com o número 233 denunciava não estar sozinho. Olhei em volta e descobri mais dois ou três senhores da mesma idade por ali estacionados serenamente. Na placa, em letras pequeninas, estava escrito um endereço de internet através do qual vim a saber que aquelas esplêndidas e graciosas máquinas tinham Marrocos como destino e que o plano não passava por utilizar as melhores estradas… ::: Da experiência que tenho com carros antigos faz parte aquele episódio triste em que, quinze minutos depois de começar o meu passeio, fiquei apeado na várzea de Sintra à espera que o menino arrefecesse e depois lhe apetecesse voltar a trabalhar. O que aconteceu duas horas depois. ::: Não consigo imaginar como terá sido o resto da viagem para este velho francês mas não me custa acreditar que tenha parado algumas vezes só para lembrar aquela tarde amena junto ao Tejo, quando um tipo se sentou no passeio ao seu lado e durante meia hora não teve olhos para mais nada.

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O Americano. Esta semana vi um filme que me deixou tenso durante as mais de duas horas que durou. A razão é simples: o protagonista fugia de alguém que o perseguia implacável e silenciosamente por um motivo qualquer. Assim mesmo: sobre quem o perseguia apenas sabíamos a nacionalidade e quanto ao motivo apenas deduzíamos a sua gravidade porque… eles queriam mesmo muito matá-lo! ::: Também no desenho, tal como na literatura ou noutra arte qualquer, por vezes é mais importante aquilo que não se vê do que aquilo que se mostra. Este desenho vale por tudo o que nele falta porque crescem questões nos espaços deixados em branco: quem estará dentro no autocarro? Sendo um transporte escolar, serão crianças ou apenas o condutor? Terá o autocarro acabado de chegar de uma longa viagem ou estará prestes a partir? O que estará para lá da esquina? ::: Se soubermos demais, a magia vai-se. Querem ver? Na verdade desenhei-o em frente ao Colégio Moderno, no Campo Grande. Era Sábado e não estava ninguém nem dentro nem fora do autocarro, nem sequer no colégio. O autocarro estava simplesmente ali estacionado, à espera de Segunda-feira. E o desenho só ficou inacabado porque finalmente chegou quem eu esperava. ::: Desiludidos com o final do post? Pois bem, eu também odiei o fim do filme.

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Lost in Translation. O Choco Frito foi apenas a entrada. Os peixes escolhidos para aquele almoço pareciam saídos duma ementa escrita numa qualquer língua estrangeira: Sardas, Sarguetas, Massacotes e Alcorrazes. Felizmente levei comigo intérpretes porque em Setúbal até as Sardinhas podem ser… escurchadas. ::: Acabei por provar de todos e não sou capaz de dizer qual o mais delicioso. De que importa o nome quando o peixe sabe a mar?