Figuinho da capa rota


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“Figuinho da capa rota
É tão pobre e tão rotinho,
Figuinho da capa rota
Foi rota devagarinho

Figuinho da capa rota,
Ai quem te quer almoçar
Figuinho da capa rota
Eu nem o posso provar…

Figuinho da capa rota,
Verde nos primeiros tempos
Veio o Sol e veio a Lua,
Vieram chuvas e ventos.

Figuinho da capa rota,
Que nasceu da mãe-figueira,
Teve sóis e teve luar,
Pássaros à sua beira.

Figuinho da capa rota
Bicado pelos passarinhos:
Figuinho da capa rota
Ninguém lhe põe remendinhos.

Figuinho da capa rota
Tornou-se da cor do mel.
O tempo veio rompê-lo,
Rasgou-se como papel…

Mas agora a mãe-figueira
Está com folhas e sem fruto,
Que o verde é sua maneira
Muito simples de pôr luto.”

Matilde Rosa Araújo, Livro da Tila

Defender


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Como uma máscara. Sempre que me sentei ao seu volante fui um explorador intrépido.

Como um animal grande e lento. No seu dorso passei seguro por caminhos que não faria a pé.

Como um exercício físico mal feito. As minhas costas doridas no dia seguinte.

Como um manifesto. A saudação entre condutores quando se cruzam modelos iguais.

Como um trator. Feio, duro, infeliz no alcatrão.

Um automóvel como uma pessoa. Sinto saudades do meu.

O Ciclista


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“O homem que pedala, que ped´alma

com o passado a tiracolo,

ao ar vivaz abre as narinas:

tem o por vir na pedaleira.”

Alexandre O´Neill