Que las hay las hay


lgmtcnht_DeOndeVemAsBruxas_3A primeira edição do Prémio de Literatura Infantil do Pingo Doce aconteceu no ano passado, numa altura onde eu tive tanta coisa para fazer que estive indeciso sobre se haveria de participar ou não até à última, literalmente. Decidi que sim a poucas horas de terminar o prazo de entrega.

Os desenhos foram feitos num hotel em Sevilha, pela madrugada dentro, numa mesa de vidro (o que eu odeio trabalhar em mesas de vidro!) e enviei a minha participação sob o pseudónimo de Luis Morales, o nome da rua da estação de correios de onde enviei a carta. Tudo para correr mal…

Obviamente, não ganhei concurso nenhum. Ainda assim, gosto destes dois desenhos – feitos sobre o texto vencedor de Joana Lopes – que fizeram parte da minha proposta.

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QUESTÕES QUE ME ATORMENTAM. Terão os Pombos penas impermeabilizadas, como os Patos?

a) Se sim, porque vemos de vez em quando Pombos que parecem um Scotch Brite velho de tão ensopados que estão?

b) Se não, porque é que ainda esta manhã vi um bando de Pombos a cruzar os céus executando magníficas figuras acrobáticas à chuva?

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lgmtcnht_chitavsleopardoÉ UMA SELVA LÁ FORA. Gosto daqueles dias em que vou buscar o meu filho à escola com tempo e me sento à espera que a brincadeira termine. Claro que a brincadeira nunca termina mas durante aquele bocadinho o tempo quase pára. Quando assim acontece, é normal puxar do meu caderno e desenhar qualquer coisa. Num desses dias aconteceu isto.

Silenciosas, as crianças aproximaram-se fechando um círculo à minha volta. Como um gangue de pombos a exigir as migalhas que o meu bloco lhes pudesse dar. E então ele, que é um fácil, deu-lhes tudo: uma vozinha pediu “um cão” e de repente lá estava ele. Depois uma menina pediu, claro, “uma bailarina”. Aquele rapaz que momentos antes dizia “tanto me faz” mudou de repente de ideias e berrou “agora outro cão, mas gordo!”. Sai um cão gordo para o menino indeciso. E sem que eu desse por isso, os seus pedidos transformaram-se em espadas que me encostaram à parede.

“Eu quero uma chita” ouvi do meu lado direito “e eu quero um leopardo” escutei do lado esquerdo. Eles são incrivelmente implacáveis e a resposta deve ser imediata. Tem que estar na ponta da tinta.

Uma chita! Um leopardo! Houve ali um momento em que cheguei mesmo a pensar que os felinos não iam sair. Então descontraí, respirei fundo e entreguei à minha mão esquerda toda a responsabilidade. Não queria saber, ela que se desenrascasse.

Enquanto traçava o papel em branco – não antes do desenho mas durante ele –  a minha mão esquerda foi-se lembrando de uma característica distintiva para um e depois para o outro animal. Safou-me mais uma vez sem que eu tivesse culpa nenhuma. Até ao dia…

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DISTORÇÃO. Mais um desenho do hotel Villa do Banho em São Pedro do Sul. Não não estava alcoolizado, é só mais uma perspectiva voluntariamente distorcida. Dá-me gozo, não sei explicar porquê. Ah… e aquilo não são grafittis, são coisas que já estavam escritas antes de começar o desenho.