Auloween


O Gonçalo V. (9 anos) leva tudo à frente.

O seu entusiasmo constante, transborda e agita-o de tal forma que desconcentra os colegas, o professor, e a si mesmo.

Mas no olho desse furacão, está um talento incrível com o qual tenho o privilégio de trabalhar há três anos. Um dom capaz de desenhos como este em 10 minutos e de tantas coisas mais que ele ainda nem suspeita.

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194.


Alôine. Hoje é dia de bruxas, abóboras esculpidas e sangue nos caninos. Ninguém pára um pouco para perguntar porque o faz mas vai tudo a correr vestir os meninos como na América. ::: Pouco ou nada sei sobre as origens do Halloween mas sei que, por mais voltas que se dê à questão, nunca terá nada a ver connosco. Este processo de americanização das nossas tradições foi gradual mas arrasador: o dia de São Valentim surgiu do nada, o Pai Natal roubou a quadra ao Menino Jesus e qualquer dia até o St. Patrick´s festejamos! ::: Fiz estes desenhos enquanto o meu filho e os meus sobrinhos tentavam manter a tradição, andando de porta em porta a pedir o Pão por Deus tal como nós o havíamos feito em crianças. É que os portugueses já tinham uma tradição para este dia… o “Pão por Deus” surgiu em Portugal no primeiro dia de Novembro de 1755, o dia do Grande Terramoto de Lisboa. Para ser mais preciso, surgiu nos dias que se seguiram, quando as vítimas em desespero pediam aos menos afectados pela catástrofe, precisamente, “Um pão! Por Deus!”. A chegada do Halloween não se tratou portanto da apropriação de uma tradição mas antes de uma substituição. O que é muito mais triste. :::  E não fomos para melhor porque passámos dum pedido singelo que tentava chegar ao coração de quem nos abria a porta para uma ameaça seca: “ou me dás uma doçura, ou faço-te uma travessura!” Bonito.