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O FOGÃO já foi o centro da casa. Quando ali era a cozinha, com as suas paredes escurecidas pelos fumos, e todos se sentavam à volta do lume nas noites frias de inverno. Aqueles tijolos guardam parte da história daquele ramo da minha família: o Fogão, tal como a casa inteira, foi mandado construir pelo meu Bisavô depois de regressar do Brasil. E se nessa mesma casa nasceu a minha Mãe e os meus Primos, então foi por este fogão que o Pai Natal desceu e lhes encheu os sapatinhos deixados à espera, foi nele que aqueceram as águas para as suas primeiras sopas e para os chás que aliviaram as suas indisposições infantis. ::: Hoje, ao lado desta lareira à qual todos chamam Fogão, está um televisor. Um pequeníssimo televisor que lhe retira o protagonismo (quase) todo nas noites frias de inverno. Mas as histórias da família continuam a pousar sobre a sua imponência: ali estão as fotografias dos acontecimentos mais recentes como aquela, uma das primeiras fotografias  do meu filho, ali colocada dias depois do seu nascimento.