77.


À esquerda: mais estudos para o projecto “Só Fachada”. A versão apresentada acabou por ficar muito próxima do que aqui se vê. Tenho que procurar essa versão final. À direita: no hotel de São Pedro de Moel, um almoço de família a acontecer na mesa ao lado do meu próprio almoço de família.

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Só fachada. De todos os projectos dos quais fiz parte e que nunca chegaram a ver a luz do dia (e já vão sendo muitos…), este foi sem dúvida um dos que mais gozo me deu. Uma tira cómica semanal com textos da autoria do meu grande amigo Frederico Pombares e outros argumentistas da Plot. Chamar-se-ia “Só fachada” e era suposto ter sido publicada na revista de um jornal nacional diário. Depois, já não me lembro bem o que se passou: ou se meteu o Verão, ou os espanhóis compraram o Grupo, ou foi uma crise que rebentou, ou um governo que caiu. Sei que a coisa ficou congelada até hoje e que ainda mora na minha gaveta. Uma pena.

72.


27Ago2006 SãO PEDRO DE MOEL. Um pedaço de terra. Chega um e sonha. Vêm outros e desenham. Vêm outros e calculam. Vêm outros e aprovam. Vêm outros e escavam. Vêm outros e enchem. Vêm outros e empilham. Vêm outros e cobrem. Vêm outros e supervisionam. Vêm outros e corrigem. Vêm outros e iluminam. Vêm outros e tapam. Vêm outros e pintam. Vêm outros e certificam. Vêm outros e aprovam. Vêm outros e mostram. Vêm outros e vêem. Vêm outros e voltam a sonhar. Vêm outros e emprestam. Vêm outros e vendem. Vêm outros e compram e vivem e complicam e amam. E depois vêm outros e nascem e sonham ainda outros sonhos mais ::: Para levantar uma casa do chão são precisos muitos homens. Noites sem dormir. Pormenores que lembram e pormenores que escapam. Orçamentos que derrapam, materiais que cedem. Horas e horas de trabalho repartido. Músculo, cérebro, suor, burocracia e arte. É obra.

52.


Cada gravidez é um milagre. Uma aventura muito única da qual nós, nos dias de hoje, quase esquecemos a fragilidade. Tanta maquinaria e análise e especialista e ecografia dá-nos uma sensação de controlo absoluto que não podia estar mais longe da verdade. São biliões de factores que se conjugam no momento único em que é gerada uma vida e quase nenhum deles controlável por nós. Biliões de hipóteses ficam reduzidas a uma célula que se reparte em células que se repartem em células que sucessivamente se repartem e transformam numa pessoa única. Uma única e irrepetível pessoa – mesmo nos gémeos. E no meio disto tudo, há para mim um momento mágico sem comparação: aquele em que uma das células repartidas começa a palpitar. Sozinha. Espontaneamente. Essa célula pululante transformar-se-á num músculo chamado Coração e só vai parar no final daquela vida. Como é que ela começa a bater? Porquê? Para uns será Deus. Para outros a Ciência. Para mim, não interessa. Seja o que for, é um milagre que começou por ser amor. (translate.google.com.br) Every pregnancy is a miracle. A very unique adventure of which we, today, almost forgot the weakness. Such machinery and expert and analysis and ultrasound gives us a feeling of absolute control that could not be further from the truth. Billions of factors come together at the moment when life is generated and almost none of them is controlled by us. Billions of hypotheses are reduced to a cell which is divided into cells that are divided into cells that turn into a unique person. A unique and unrepeatable person – even in twins. And in the midst of all this, there is a magic moment without comparison for me: one in which a cell begins to throb. Alone. Spontaneously. This cell will become a muscle called Heart and it will only stop at the end of that life. How does she begin to beat? Why? For some it´s God. For others science. For me, it does not matter. Whatever it is, it’s a miracle that began as love.