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VERÃO EM CHAMAS. Tavira está a arder. Vêm-me à memória cada um dos Verões da minha adolescência passados nesta cidade que aprendi a amar. A Tavira do rio Gilão, das bicicletas, dos gelados GELVI, das noites quentes com baratas a dançar nos passeios, da Ria Formosa, da UBI, do pão quente de madrugada, do Mercado fresco com peixe vivo, da estupeta de atum, do calor a meio da tarde, da praia morna ao fim do dia, dos amigos para a vida, das conquilhas na baixa-mar, da alfarroba que nos seca a língua, das cigarras a cantar loucas com tanto sol, das aldeias perdidas no meio da serra seca, das velhas de negro curvadas e enrugadas, das amendoeiras ao abandono, das ribeiras secas. Tavira está a arder e eu nada posso fazer. Resta-me publicar, em jeito de homenagem a todo o Concelho, um desenho feito há um ano atrás, durante um pequeno-almoço na Pastelaria Arcada, frente ao edifício da Câmara Municipal. Estou convosco em pensamento. Para a semana, literalmente.