221.


MySketchA ADOLESCÊNCIA.

I.

Ele – É ela. Vê se caminhas direito. Mas sem parecer um robot. Descontrai. Não rias, sorri. Assobia. Esquece, não assobies. Vou tirar uma das alça da mochila. Devia ter atado o sapato. Olhar em frente olhar em frente olhar em frente. Olhei para ela. Ri. Bolas!

Ela – É ele. Tenta parecer natural. Pára. Abanar as pernas não é natural. Põe as mãos nos joelhos. Ajeita o cabelo. Finge-te surpreendida. Põe as mãos no muro. Não olhes agora não olhes agora não olhes agora. Olhei. Bolas!

II.

Ele – Tão linda, a bater com os calcanhares no muro. Adoro a forma como arruma aquela farripinha de cabelo atrás da orelh… ela viu-me a olhar para ela. Vergonha. Disfarça, disfarça e segue em frente.

Ela – Fica tão fofo com o atacador solto. Cortou o cabelo, ainda está mais giro. Adoro aquelas calças. Está tão perto que consigo sentir o seu perfu… olhou para mim. Ele olhou para mim e sorriu. Taquicardia. Disfarça, disfarça e segue em frente.

212.


LgmtCnht_FelizNatal2012ESTA QUADRA DÁ COMIGO EM DOIDO. Doido ou deprimido, depende dos anos. Este 2012 parece ter conseguido a proeza de conjugar as duas coisas duma forma particularmente eficaz. Valeu-me a parceria que fiz com a Academia de Música de Lisboa na criação do presentinho que os professores ofereceram aos pais e alunos no final do Concerto de Natal: um conto de Sophia de Mello Breyner Andresen lido, musicado, interpretado e ilustrado ao vivo.  O resultado final encheu-me de orgulho e aqueceu-me o coração. Feliz Natal para todos.