153.


À ANTIGA PORTUGUESA. Talvez a maior satisfação que os actuais movimentos organizados de pessoas apaixonadas pelo desenho em ambiente urbano (casos do UrbanSketchers ou os Cuadernistas, por exemplo) trazem a quem os segue é uma nova forma de olhar a cidade. Muitas vezes, a cidade onde eles sempre moraram. ::: Para quem, como eu, o faz há tantos anos, não é novidade esta capacidade constante de sermos surpreendidos a cada novo desenho e no entanto… é sempre especial. Desta vez aconteceu-me em plena Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, onde este topo de edifício passa desapercebido à maior parte dos transeuntes. ::: O desenho acabou por ficar a meio porque entretanto fui interrompido pela maior cena de pancadaria no trânsito a que alguma vez assisti. Mais uma surpresa urbana.

146.


ALMOÇO. Como já escrevi aqui, ao contrário de outros autores de Diários Gráficos, não costumo nem gosto de desenhar aquilo que como. No momento de decidir entre a paixão pelo desenho e o prazer de ingerir o almoço quentinho, não hesito em escolher o segundo. No entanto, gosto de utilizar os tempos mortos que existem ao longo de uma refeição – enquanto esperamos que chegue o nosso pedido, o café ou mesmo a conta – para desenhar tudo o que me rodeia. Principalmente pessoas. ::: Este senhor de gestos lentos almoçava sozinho e estava completamente absorto, entregue aos seus pensamentos e ao seu copo de vinho tinto. O conjunto parecia feito para ser desenhado. E foi.

143.


São Pedro do Sul (24/25). Há uns dias, numa entrevista dada a Daniel Oliveira para o programa Alta Definição, o jornalista Júlio Magalhães disse uma coisa com a qual concordo em absoluto (disse várias, mas as outras não vêm a propósito) e na qual me revejo embora sem grande orgulho. É lamentável como, nós portugueses, conhecemos tão mal o nosso país. Quando acontece irmos (ou termos que ir) a um sítio como Vouzela, falamos como o Júlio disse: “eh pá, não imaginas, fui a um sítio fantástico. Nem sabia onde aquilo ficava mas não calculas como aquilo é bonito!”. Ele referia-se aos lisboetas em concreto, que “não saem de Lisboa senão para ir ao Algarve” e eu generalizaria a coisa muito para lá de Lisboa mas também não é isso que está em causa… Vouzela fica a dois passos de São Pedro do Sul e quem passar por perto tem que parar e caminhar por aquelas ruas. Este desenho foi feito numa esplanada num largo, a meio dum desses passeios e de um Pastel de Vouzela que, por si só, é motivo mais que suficiente para a paragem!

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