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São Pedro do Sul (11/25). Estes são os chamados “desenhos ao lado”. Todos os cadernos os têm. Um dos primeiros passos para quem quer desenhar, é aprender a lidar com eles da melhor forma possível. À ESQUERDA: a primeira tentativa que fiz para desenhar o Brasão da Cidade que deu início a esta série de desenhos. O desenho em si, feito com uma caneta PaperMate, não estava mau. Mas depois lembrei-me de sombreá-lo com Tinta da China Castanha Windsor & Newton. O resultado foi tão interessante e o entusiasmo tal que rapidamente estraguei o desenho. Quando isto acontece, a solução é simples: passar rapidamente à página seguinte e começar um novo. Acontece que À DIREITA: as coisas não correram muito melhor. Desenhar na Sala de Repouso nem sempre era fácil, não apenas pelas reacções dos “desenhados” mas também pelas posições que estes adquiriam naquela espécie de transe em que se encontravam. Era como se os seus ossos, após os tratamentos, ficassem com a maleabilidade da plasticina. Aqueles corpos amolecidos iam escorrendo pelas espreguiçadeiras até se fundirem com elas. Quero com isto dizer que por muito distorcidas que estejam as perspectivas destes corpos, a verdade é que elas estão mais parecidas com a realidade do que aquilo que possam imaginar! Mas não estão correctas. E quando isto acontece, a solução é simples: passar rapidamente à página seguinte e começar um novo.

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São Pedro do Sul (7/25). A receita é simples: a 3 irmãs amorosas junta-se uma casa há gerações na família. Mais uma pitada de histórias, o rio ali ao lado, um cheirinho familiar e cozinhados a gosto. Mesmo a gosto!  O Hotel Rural Villa do Banho foi uma experiência à parte dentro da própria viagem. Dona Delfina, Dona Conceição e Dona Rosarinho cresceram ali. Assistiram às colheitas, às vindimas, às cheias que ciclicamente molhavam os pés à casa. Aprenderam os segredos das Estações do Ano e o que cada uma delas nos dá. Entenderam a simpatia. Fugiram a esconder-se na cozinha e aí espreitaram para lá dos segredos da Mãe e das Sopeiras. Hoje servem-nos esses segredos deliciosos à mesa, em pratos verdadeiramente inesquecíveis. Uma cozinha regional, verdadeira, secularmente biológica, carregadinha de amor. Recebem-nos como amigos verdadeiros e fazem-nos de facto sentir como se aquela casa de sonho fosse nossa também. Fazem-nos apetecer regressar depressa.

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São Pedro do Sul (6/25). DIREITA – A jóia da coroa bem pode ser “o maior e mais moderno complexo termal da Europa” mas para mim ele não se compara a este velhinho Balneário. É aqui que a magia acontece – pelo menos aconteceu para mim! Todos os meus tratamentos foram marcados para o Rainha Dona Amélia, cujo nome segue a mesma lógica, embora neste caso não haja dúvida: lá estão as fotografias a comprovar a presença da Monarca. ::: Fiz hidromassagens, à conta das quais li um dos livros que mais gozo me deu ler na vida; fiz vapores e inalações, a parte do tratamento que se parece com… um tratamento; fiz banho turco, 15 minutos de nevoeiro sempre à beira do desmaio; e fiz também o incomparável banho Vichy, cerca de 30 minutos diários no céu com uma massagem vigorosa sob um constante chuveiro de água morna. Perfeito! ::: ESQUERDA – Gosto, nos hotéis onde fico, de me sentar sempre na mesma mesa e no mesmo lugar. Neste caso, do meu lugar, para além da ponte e do rio, via esta cortina. Todos os dias ao pequeno-almoço (que tomava muito cedo e a sós) ela pedia-me baixinho: desenha-me! Acabei por ceder e reservei este cantinho do Moleskine só para ela.

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SÃO PEDRO DO SUL (3/25).  O check-in (consulta + marcação dos tratamentos prescritos + pagamento) é feito no Balneário D. Afonso Henriques que, à boa maneira portuguesa, é pomposamente anunciado como “o maior e mais moderno complexo termal da Europa”. Tudo à grande! ::: O nome do balneário não foi escolhido ao acaso: supostamente foi nas Termas de São Pedro do Sul que El Rei Dom Afonso Henriques recuperou da célebre fractura da perna durante a batalha de Badajoz, “ao bater com ela no ferrolho de uma porta”Ui!  Há quem diga que nada o prova mas eu, que sou um romântico, gosto de acreditar que sim. Imagino-o por ali, ansioso, com a perna de molho, a planear a próxima zaragata e a gritar para alguém “quando é que isto fica bom? Estou farto deste cheiro a enxofre!”

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